HAI-KAI PARA A CHUVA
chuva domingo
mais um dia de chuva
água no vidro
vapor, som de silêncio
só mais um bom momento.
chuva domingo
mais um dia de chuva
água no vidro
vapor, som de silêncio
só mais um bom momento.
outono
ou nada.
meu lado Roberto Freire se engana;
meu lado Jece Valadão, não.
paladar
palavra
para dar
pala dar
pala
paradar
para
dar.
verborrágico
verbotrágico
máscara-espelho de
mim mesmo na
palavra que lanço
ao vento me
incendeio de
signos-semânticas
sementes orgânicas
que me transformam
de volta
no ar-palavra
que de/pra minhaboca
re-torna
re-volta.
às vezes me pergunto
se estás comigo ou
se estás con(m)tudo.
não sei
se é já
ou se é
ainda.
o inconsciente deixa rastros
derrama discursos;
seu capuz sobre a cama.
o amor que te sinto
é como uma sinfonia inacabada
uma óstia imaculada
que quando mordo – morde
uma ode ao infinito
uma ode desvairada
minha loucura sonsa
minha loucura insondada
que só eu conheço
na’scuridão do meu travesseiro
que quando só me compadeço
nas noites findas
infinitas lembranças
de um passado distante
embora presente, e tão presente
e como
tão
no mais escancarado de minh’alma
no aparente do aparente
falo em mim com as paredes
falo em ti com azulejos
do banheiro enquanto dormes
enquanto não acordo deste sono
infame, disforme
enquanto durmo
tu me discorres
e o que sinto por ti
de mim me escorres
como lágrima lamento
choro pulso de pedra
e cimento
como acima abaixo
de ti
eu entendo
entendo, amor
e por isso continuo
a ti
por ti
por mim
a intento.
o prazer é um dom
da privação
assim como
a boa companhia é um dom
da solidão.